Com meu cão aprendo mais do que ensino…

Com meu cão aprendo mais do que ensino…

Para onde foi toda a criatividade que tínhamos na infância? Aquela capacidade de imaginar histórias mirabolantes por puro divertimento. Aquele tempo em que não tínhamos que nos preocupar em ter que agradar ou fazer social para se enturmar. A infância é a melhor época para se desfrutar de sonhos e poder simplesmente ser você mesmo. Infelizmente ao nos tornarmos adultos, nos limitamos e nos podamos cada vez mais, até nos tornarmos cidadãos pacatos com êxito.

Houve um tempo em que os estímulos partiam da natureza, e tendiam a ser lentos. Na era moderna, tudo começou a acontecer mais depressa. Na era digital, tudo se acelerou. Além de toda correria do dia-a-dia, as tecnologias penetram em nossas vidas e proporcionam uma mudança nas relações interpessoais. Estamos deixando de prestar atenção nas pessoas e coisas ao nosso redor, vivemos tempos em que os cérebros têm dificuldade de se concentrar e manter o foco. Estamos sobrecarregados de informação (muitas vezes desimportantes), estressados e sem paciência e tempo para nada. Entramos na era das microconversas e da microatenção.

Ao observar os cachorros, eternas crianças, chego à conclusão de que esses sim sabem desfrutar da vida, dosando seus sentimentos na medida exata. Os cães possuem a habilidade de permanecer na fase da infância a vida toda. Assim como as crianças, eles gostam de brincar com qualquer coisa, amam de verdade, se alimentam bem sem exageros (salvo exceções), observam tudo o que está acontecendo, prestam atenção, estão sempre dispostos a aprender e não se preocupam em agradar a todos.

Não engolem sapos, quando necessário, uma simples rosnada (sem precisar morder) é mais do que suficiente para indicar descontentamento. São bons e puros e nos aceitam exatamente como somos com todos os defeitos e imperfeições na bagagem. Fazem festa quando vêem pessoas queridas e não se preocupam em esconder sua felicidade. Compreendem que toda oportunidade deve ser aproveitada para demonstrar o amor que carregam e que faz o corpo vibrar até a extremidade do rabinho.

Na hora de deitar, sabem que esse é um momento para descansar, relaxar e dominam a arte do sono com maestria. Se o dia está lindo e com sol, bora sair para passear, se está nublado, bora sair para passear também. Estão sempre abertos ao que o mundo tem a oferecer e saem da sua zona de conforto sempre.

E apesar de ensinar tanto sobre a vida, os cães não te cobram nada e nem te pressionam. Ensinam muito sobre humildade e paciência, sempre tão gentis e leais. Não possuem ambições e não são gananciosos. Não possuem apego material nenhum. Não guardam rancor e sabem perdoar. São genuinamente felizes.

Queria eu descobrir por que o cão é tão mais humano do que o próprio homem.

Marcella C M de Souza
Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista em 2009.
Pós-graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas em 2013.
Pós-graduada em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais pelo Senac em 2017.

 

0 Comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*