Micoplasmose

Micoplasmose

Sobre gatos, pulgas e sensatez

Confesso que sou daquelas pessoas que um dia falou: “Eu não gosto de gatos”. Disse isso sem fundamento algum, não tinha conhecimento nenhum sobre o fantástico mundo dos felinos. Hoje para mim, os animais de estimação, especialmente os gatos, sempre foram presentes da vida. Eles escolhem viver comigo e eu, se posso, aceito cuidar deles. E 100% das vezes a escolha de cuidar deles me trouxe muito prazer, muito afeto e muitas risadas com as bobices e curiosidades que só quem tem gato entende.

Cuidar de gatos, apesar da fama independente que possuem exige cuidados diários. Assim como os cães, eles também necessitam de alimentação de qualidade e água sempre disponíveis, vacinação, limpeza e higiene do ambiente, carinho, atenção e amor, não necessariamente nessa ordem.

Os gatos são animais sensíveis que adoram estar sempre limpos e arrumados (salvo exceções, como um dos meus próprios gatos que adora rolar na terra todo santo dia), e parte desse cuidado com sua higiene se dá em mantê-los livres de endo e ectoparitas. Manter o animal vermifugado e aplicar produtos para controle de parasitas externos é fundamental para a manutenção de uma vida feliz e saudável para o bichano.

Vocês já ouviram falar da Micoplasmose? Também conhecida como anemia infecciosa felina, essa doença é causada por uma bactéria chamada Mycoplasma haemofelis, que tem como principal característica colonizar a superfície de células sanguíneas tornando-as estranhas ao animal, que passa a não reconhecê-las e destruí-las.

Apesar de algumas opiniões divergentes por parte de pesquisadores, acredita-se que essa doença seja transmitida pela picada da pulga, do carrapato, por mordeduras e arranhões em brigas, transfusões de sangue e via transplacentária e transmamária. A micoplasmose felina pode ser comparada à babesiose canina e é uma doença bastante comum, principalmente para gatos que possuem acesso às ruas.

Após o contágio, os sinais podem se manifestar dentro de algumas semanas, porém, também existem alguns animais que são apenas portadores da doença, pois não apresentam sintomas mas atuam como reservatórios ativos para transmissão. Os principais sinais clínicos são perda de peso, língua e mucosas pálidas, prostração, perda de apetite, falta de cuidados com a higiene e icterícia. A consequência de todo esse quadro é a anemia, pois, como mencionado anteriormente, a doença acomete às células sanguíneas, levando a trombocitopenia (diminuição das plaquetas).

Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor será o prognóstico e melhores as chances no tratamento, que é feito por meio de antibióticos específicos. Após o diagnóstico da doença, é prudente questionar se o gato não é também portador de leucemia felina (FELV) ou síndrome da imunodeficiência adquirida felina (AIDS felina), porque estes vírus poderiam estar promovendo uma queda da eficiência do sistema imunológico e propiciando o desenvolvimento da micoplasmose.

Gatos são seres super sistemáticos, silenciosos, gostam de manter seus hábitos como dormir e comer sempre nos mesmos horários e nos mesmos lugares, adoram rotina e quando estão doentes geralmente se retraem e se isolam. Preste sempre muita atenção no comportamento do animal em sua companhia e em caso de alterações mínimas procure assistência veterinária.

Marcella C M de Souza
Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista em 2009.
Pós-graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas em 2013.
Pós-graduada em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais pelo Senac em 2017.

 

0 Comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*